segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Unimed e Fluminense: do fundo do poço a consagração!


O ano era 1998, o Fluminense disputava a Série B do Campeonato Brasileiro, com a expectativa de que ascendesse à elite naquele mesmo ano, porém, o improvável aconteceu. Após uma campanha sofrível, o clube carioca foi rebaixado à Série C, algo inédito para um grande clube em nosso país. Mas ao final do campeonato, uma luz no final do túnel aparecia ao Flu.

A Unimed, uma cooperativa de saúde, presidida por Celso Barros, um torcedor do Fluminense fanático, firmou patrocínios pontuais para dois jogos da equipe nas últimas rodadas. Com o rebaixamento do clube, a tendência era não continuar apostando, no entanto, Celso foi além e transformou a empresa em patrocinador máster do tricolor carioca no ano seguinte.

Segundo o mandatário da Unimed, o clube preenchia os requisitos do público-alvo da empresa e daria uma visibilidade maior à marca.

- Vimos uma chance enorme com o Fluminense, pois se trata de um clube de grande penetração nas classes A e B, potenciais compradores de plano de saúde. Os jogos eram transmitidos no canal fechado, mas o torcedor tricolor, é claro, queria desesperadamente acompanhar os jogos. Os que torcem contra, que queriam a desgraça, também teriam interesse. Era uma chance, dentro da estratégia da empresa, de dar visibilidade à marca e apoiar o futebol do Rio.

A parceria entre Unimed/Fluminense estreou com o pé direito. Comandados pelo treinador tetracampeão mundial, Carlos Alberto Parreira, o tricolor carioca conquistou a Série C e revelou jogadores que se tornaram bem conhecidos no cenário nacional, como o meia Roger, o lateral Paulo César, o volante Marcão e os atacantes Magno Alves e Roni.

Preparando-se para a disputa da Série B em 2000, o Fluminense ganhou o direito de voltar à primeira divisão, devido a um imbróglio judicial envolvendo o Gama (DF) e a CBF, que resultou na criação da Copa João Havelange, pelo Clube dos 13.

Com a volta à elite, os planos da Unimed cresceram. De patrocinador máster, passou a colaborar efetivamente com o clube. Na Série C, já havia pagado integralmente a comissão técnica de Parreira. Na Série A, passou a arcar com as despesas nas contratações dos jogadores de renome.

Porém, em 2006, houve um grande racha no elenco, devido ao modelo de gestão entre Flu e Unimed. Os jogadores contratados pelo patrocinador possuíam seus salários em dia, já os que possuíam vínculo com o clube, estavam com seus salários atrasados. Para evitar a repetição do fato, a empresa praticamente assumiu o departamento de futebol do clube.

Com o controle do futebol tricolor, a Unimed conseguiu o primeiro título de expressão nacional, que foi a Copa do Brasil de 2007, que rendeu uma vaga na Libertadores do ano seguinte. Na competição sul-americana, mesmo com uma grande campanha, o Fluminense foi vice-campeão, perdendo a final para a LDU (EQU), nos pênaltis, em pleno Maracanã. Além do vice da Libertadores, também coleciona o vice da Copa Sul-Americana de 2008.

Nos dois últimos brasileiros, o clube lutou muito para não ser rebaixado novamente. Mas para o Brasileirão deste ano, não foram poupados esforços para trazer o título para as Laranjeiras. Com contratações de peso como o meia Deco, o treinador Muricy Ramalho e o lateral Belletti, além de outros menos conhecidos, foi montado um bom elenco, que resultou na conquista do Brasileirão de 2010, após 26 anos de jejum.

Nos planos para o futuro do Fluminense, estão a construção de um CT de primeira linha. Celso Barros diz que a Unimed pretende ajudar no que for possível, mas com ressalvas.

- É importante saber o que o Fluminense conseguirá, se há alguma negociação com Prefeitura ou se o clube tentará adquirir algum terreno. Isso é extremamente importante, a definição do projeto. O Fluminense tem condição de procurar recursos, mobilizar torcedores, empresários e investidores para o projeto. Nós, como parceiros antigos, ajudaremos na medida do possível. Mas não se pode jogar o ônus que temos para fazer tudo.

Porém, o presidente da Unimed deseja que o clube crie novas alternativas de receitas e seja autossustentável.

- O Fluminense precisa aprender a andar com as suas próprias pernas. Isso é a minha expectativa, como torcedor e como sócio. O clube precisa construir receitas que dêem sustentação às questões administrativas, de colaboradores do clube, dos esportes olímpicos, da sua área social e do futebol. É claro que os patrocinadores serão importantes, receitas de TV... Espero que nessa próxima gestão o processo de mudança comece, para o Fluminense ser autossustentável.

É inegável que o Fluminense deve muito a Unimed, mas também é fato de que a empresa cresceu muito graças ao clube. Inúmeras vezes na mídia esportiva, a cooperativa de saúde é citada, sobretudo nas grandes contratações, gerando uma grande publicidade positiva. Ter a sua imagem atrelada a um grande clube, durante tanto tempo, é extremamente benéfico para o share of mind da empresa. E com a ascensão do clube carioca, sem dúvida alguma, a Unimed ainda será muito beneficiada.

Algumas informações foram retiradas do site Lancenet (http://www.lancenet.com.br)

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